7 de abr. de 2010

Armando Nogueira 83

Inspirado em México 70, crônica mais famosa do autor, publicada por ocasião da conquista do tri-mundial da seleção brasileira, no Jornal do Brasil


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E as palavras, eu que vivo delas, onde estão? Onde estão as palavras para contar a vocês e a mim mesmo que Armando Nogueira morreu? O Brasil está triste e toda a multidão de leitores está em transe. Parece uma comoção nacional: admiradores com os olhos deitados nos livros, revistas, jornais e arquivos. Cem olhos a lembrá-lo.

Levam-lhe os jornais levam-lhe os livros. Sei que é total a alucinação nos quatro cantos do país, mas só tenho olhos para a cena insólita: há muito que arrancaram as crônicas esportivas dos jornais. Só faltava, agora, alguém tomar-lhe a vida, derradeiro poeta da bola. Uma pena lírica de um semideus dos escritos.

Mas, felizmente, a cautela e o sangue-frio vencem sempre: venceram, com o Brasil, o Mundial de 70, e venceram, também, na hora em que o desvario pretendia deixar Armando Nogueira completamente esquecido aos olhos de quase duzentos milhões de brasileiros.

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