6 de mai. de 2010

O COMENTÁRIO DE FERNANDO ROCHA - OPINIÃO COM CREDIBILIDADE


Faz sentido
A bronca da semana partiu do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, nas nossas autoridades,  ameaçando até de nos tirar o direito de sediar a Copa de 2014, se não for cumprido o calendário estabelecido para a construção e reforma dos estádios.
 Os números são impressionantes: só na construção e reforma de estádios vamos gastar R$ 6,3 bilhões. A estimativa está baseada em orçamentos oficiais feitos pelos comitês organizadores das 12 cidades brasileiras que serão sede do Mundial.
O Maracanã ocupa a liderança e deve consumir R$ 1,4 bilhão com a reforma, mas nem sequer o edital para licitação das primeiras obras foi publicado.  Logo atrás vem a construção da arena de Brasília, avaliada em R$ 740 milhões, mas deve chegar fácilmente a R$ 1 bilhão e olhe lá se for mais adiante,  por conta da roubalheira dos políticos do Distrito Federal.
 Os mais contidos nos gastos são os gaúchos, que pretendem consumir cerca de R$ 60 milhões na ampliação da capacidade de público e adequação do Beira-Rio. Em Minas ninguém sabe ao certo, mas calcula-se que serão consumidos algo em torno de R$ 600 milhões com as obras no Mineirão, Independência e Arena do Jacaré.
 No comparativo com investimentos para a Copa da África do Sul, que começa no mês que vem, o Brasil já comprometeu mais do que o dobro, pois os sul-africanos calcularam terem gasto R$ 2,65 bilhões   com a mesma tarefa dos estádios.
Por todo lado, governadores, prefeitos, lobistas, aspones em geral, dizem que os altos valores a serem gastos com as obras é que estão dificultando e atrasando o processo, pois dependem da liberação de recursos do governo federal.
  • Inicialmente, os trabalhos deveriam começar em março. Ao perceber que nada seria feito até lá, a Fifa decidiu estender o prazo até o dia 31 deste mês, mas como de nada também adiantou, o secretário-geral da entidade, a pedido do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, com quem mantém um estreito relacionamento, deu o “pito” em todo mundo. Porém, como a falta de seriedade  para cumprir compromissos está no DNA dos nossos políticos, ou a entidade máxima do futebol dança de acordo com a nossa música, ou terá que de fato cumprir as ameaças, o que ninguém acredita que vá acontecer.
  • Outro problema é a péssima fama do futebol brasileiro quando o assunto é a venda de ingressos. A empresa Match, responsável por esta área junto à Fifa, encomendou uma pesquisa para identificar as preferências dos nossos torcedores, o que a CBF já deveria ter feito.
  • Nota-se uma grande preocupação, com base nos problemas verificados agora no Mundial da África do Sul, com a similaridade das diferenças culturais e o tamanho do nosso país. Há, inclusive, a possibilidade de ocorrer uma mudança no sistema de disputa com a regionalização dos grupos, tudo porque os longos deslocamentos também dificultariam o orçamento dos torcedores que desejem seguir uma seleção. A regionalização também ganha força devido aos problemas da malha aérea nos aeroportos brasileiros, que podem encarecer o preço das passagens.
  • Caso ocorra realmente, essa regionalização poderá beneficiar cidades de médio-porte como Ipatinga, caso estejam com seus estádios em condições de atender às   exigências e encargos da Fifa, visando sediar treinamentos ou até jogos do Mundial. Logo após o término do Mundial na África do Sul este assunto será aprofundado, tornando-se imperativo que as nossas autoridades municipais fiquem atentas e se movimentem para adequar o Ipatingão às normas internacionais.
  • A Fifa também imagina que o brasileiro estará vivamente interessado em assistir os jogos da nossa seleção e de outras favoritas como a Itália, Alemanha, Argentina, Espanha, Portugal, etc, mas não teria nenhum interesse pelas seleções de países com pouca tradição no futebol como Argélia, Eslovênia, Estados Unidos, entre outras.

E-mail: bolaarea@yahoo.com.br

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