Nada disso
Há quem diga que a vitória ou a classificação do Galo, se vier hoje sobre os “meninos da Vila” na Copa do Brasil, pode significar um retrocesso, só comparável aos danos causados pela derrota da seleção para a Itália na Copa de 82, que mergulhou o nosso futebol nas sombras da era Lazaroni, depois a era Dunga, o tal futebol de resultados, que até hoje predomina, privilegiando a falta técnica, tática, onde o volante-brucutu é mais importante que o craque, ou se dá mais valor a quem obedece fielmente o que determina o “professor”, mesmo que não saiba jogar futebol.
Discordo inteiramente. E por um motivo básico: Vanderlei Luxemburgo nunca comungou com as idéias defensivistas e retrógradas de Lazaroni, muito menos com as de Dunga, pois em todas as equipes por onde passou em sua vitoriosa carreira, armou times ofensivos, equilibrados, que marcam, jogam, sem histórico de violência.
Mas, deixa estar que logo mais, dezenas de colegas na grande imprensa, principalmente os mais jovens, que detestam o futebol-arte da meninada santista, sobretudo porque não tiveram o privilégio de assistir o verdadeiro futebol brasileiro de Pelé, Tostão, Gerson, Sócrates, Zico, Reinaldo e outros craques da mesma linhagem, estarão cruzando os dedos, torcendo pela primeira vez a favor do Galo, só pelo prazer de ser do contra.
Agora, esta gente pobre de espírito, carrancuda, que não consegue admirar, ver o futebol brasileiro de modo diferente, pode ir tirando o cavalo da chuva, pois este Galo do Luxemburgo, que tem Diego Tardelli no ataque, os “vovôs” Junior e Ricardinho comandando o meio de campo, e o equatoriano Jairo Campos como esteio da zaga, não é nada do que pensam.
· As provocações dos “meninos do Santos” na festa de comemoração do título paulista, a meu juízo, devem ser entendidas de duas formas. Primeiro eles só queriam zoar o técnico do Galo, tirar um sarro, sem qualquer intuito de incitar a violência, como sugeriu Luxemburgo. Segundo é que gestos assim, vindos de ídolos, costumam ser entendidos das formas mais diferentes pelos mais fanáticos, pois a maneira de enxergar o futebol hoje no nosso país é que está completamente errada.
· Trata-se de um circulo vicioso, onde a pancadaria dos jogadores em campo, batendo adoidado, sob a complacência dos árbitros frouxos e incompetentes, acaba se transferindo para as arquibancadas, daí estes refrões das torcidas organizadas, ou como o que se ouviu dos “meninos do Santos”, onde a palavra dá margem à várias interpretações: “...a sua hora vai chegar”.
· Enquanto integrantes da imprensa esportiva, somos culpados por grande parte de tudo isso, embora seja visível a existência de uma melhoria do nível cultural da nossa classe, o que em muito se deve às faculdades de jornalismo. Porém, a maioria dos jovens colegas saídas recentemente das escolas de jornalismo, demonstram total falta de noção do que esteja ocorrendo à sua volta. E, continuam, equivocadamente, seguindo a cartilha que impera há algumas décadas, onde um jogo é chamado de “duelo” e o futebol tratado como se fosse uma “guerra”.
· Por falar nisso, leio em um site esportivo que teremos hoje a “batalha de Montevideu”, em referência à partida do Cruzeiro contra o Nacional do Uruguai pela Libertadores. Não é engraçado? Dá a impressão que os jogadores celestes irão a campo, não de calções e chuteiras, mas sim armados de fuzís, metralhadoras, atirando granadas ou detonando bombas, como se houvesse mesmo uma guerra de verdade.
· Quanta bobagem. Santa ignorância. O Cruzeiro é muito superior ao Nacional e só perde se não souber comportar-se em campo, como aliás tem sido uma rotina em seus jogos fora do Mineirão pela Libertadores. Vamos assistir uma torcida gritando, empurrando o time da casa, mas nada de “guerra”, “batalha”, além de outras baboseiras que se ouve por aí.
· Pelo menos em época de Copa do Mundo, a literatura esportiva fica prodígia em lançamentos. Então, algumas dicas para os que apreciam uma boa leitura: “Os 11 maiores volantes do futebol brasileiro”,(Editora Contexto) do jornalista Sidney Garambone; “A história das camisas de todos os jogos das Copas do Mundo”, (Panda Books & Saraiva Megastore) escrito por Paulo Gini e Rodolfo Rodrigues com ilustrações de Maurício Brito; “55 maiores jogos das Copas do Mundo”,(Panda Books) de Paulo Vinicius Coelho. (Fecha o pano!)
E-mail: bolaarea@yahoo.com.br
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