
Fernando Rocha
Chances remotas
A pergunta que mais ouvimos esta semana, foi sem dúvida à respeito das chances do Tigre conquistar o título estadual, nesta decisão amanhã diante do Galo.
A expectativa dos nossos interlocutores, variou de uma tênue esperança numa vitória do Tigre por dois gols de diferença, o que lhe daria o bicampeonato, até a total incredulidade, depois que viram a convincente atuação de Tardelli e seus companheiros, na vitória de quarta-feira, 3 a 2, sobre o Santos pela Copa do Brasil, um jogaço de bola, com qualidade técnica de ambos os lados, muito acima do que habitualmente temos visto aqui nestes grotões.
O Galo está inteiro, motivado, focado e determinado em conquistar o primeiro título na era Luxemburgo. O Tigre, por sua vez, desfalcado dos principais jogadores, com mais de meio time no estaleiro, outros suspensos, além de encarar um Mineirão com mais de 60 mil vozes a empurrar o adversário.
Então, analisando as perspectivas por este ângulo, o Tigre estaria literalmente fulminado e nem precisaria haver o jogo, pois deixa estar que o melhor seria já chamar o representante alvi-negro e lhe entregar o troféu de campeão.
Mas, não é assim que as coisas funcionam no futebol, o único dos esportes coletivos, onde a lógica nem sempre se confirma dentro de campo, por conta da influência de uma série de fatores internos e externos, costumam mudar os rumos das partidas e de conquistas, pois como escreveu o grande Nelson Rodrigues, “acometido de uma dor de cotovelo, o craque costuma errar até um reles arremesso lateral”.
- Normalmente o torcedor atleticano é um otimista e em qualquer situação, sempre acredita que o Galo vai vencer, ser campeão, etc, coisa e tal. Imaginemos então, agora, que tem motivos de sobra para sentir firmeza na equipe, no treinador, em tudo que o cerca. Se o Ipatinga conseguir a proeza de derrotar o Galo, por dois gols de diferença, sagrando-se campeão amanhã, diante de um Mineirão lotado, sugiro ao prefeito atual, que decrete feriado na segunda-feira, e que toda a população saia às ruas, para aplaudir e receber os jogadores, com direito a desfile de carro aberto dos Bombeiros.
- Em 2005, teve parte disso, mas não foi feriado no dia seguinte à conquista do título estadual, também obtido contra todas as previsões, com uma vitória dramática sobre o não menos poderoso Cruzeiro, no mesmo palco de amanhã. Na época, acho que nem mesmo os próprios dirigentes do Ipatinga, tinham noção do tamanho da façanha obtida, quebrando um monopólio de 31 anos dos clubes da capital, já que o Siderúrgica de Sabará, em 1964, havia sido o último campeão saído do interior.
- Vanderlei Luxemburgo, com razão, se vangloria de ter lançado e contribuido para o sucesso de muitos jovens jogadores, que hoje brilham no cenário do futebol nacional e mundial. Mas, embora tenha tentado, Renan Oliveira parece que vai se tornar foguete molhado. Oportunidades não tem faltado, como na última quarta-feira diante do Santos, mas o garoto nega fogo. Entrou em campo como se estivesse passeando de mãos dados com uma garota no Pátio Savassi ou no Shoping do Vale. Renan não é o futuroso craque que apregoam, mas também não é um cabeça de bagre e só o tempo irá dizer o que vai acontecer com ele.
- Enquanto na gestão dos Perrelas, o Cruzeiro anuncia um déficit nas contas de R$ 42 milhões nos dois últimos anos, a nova diretoria do Galo, comandada por Alexandre Kalil, comemora a saída do clube das manchetes judiciais e até policiais, por conta de dívidas com jogadores, fornecedores, enfim, só duas pessoas, Deus e o povo. O prejuizo anual caiu de aproximadamente R$ 36 milhões em 2008, para cerca de R$ 23 milhões em 2009. Segundo dados divulgados pela Administração Kalil, no ano passado, mesmo sem patrocínio na camisa, houve superávit operacional de R$ 3.450.778 . A dívida total do Atlético, segundo o balanço apresentado pela diretoria, está em R$ 231.618.214,00.
- “Se não roubar e não deixar roubar, sobra dinheiro no Atlético”.Alexandre Kalil, presidente Galo. (Fecha o pano!)
E-mail: bolaarea@yahoo.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário