7 de mai. de 2010

Chaves do Siderúrgica por R$ 1,00

Com a desistência de aquisição do Hospital Siderúrgica pelo grupo representado pelos médicos Ênio José da Silva e Marcos Vinícius Bizarro, a situação financeira da unidade de saúde mais antiga da região caminha a passos largos para um possível processo de falência. A Associação Beneficente de Saúde São Sebastião, mantenedora do estabelecimento, chegou a admitir essa opção em nota à imprensa distribuída na semana passada. Caso o hospital – com 80% dos atendimentos feitos pelo SUS - feche as portas, mais de 6 mil pessoas poderão ficar sem assistência médica, no município e região.

O grupo que pleiteava a aquisição do Hospital Siderúrgica, na tentativa de livrá-lo da bancarrota, era formado por sete médicos e um empresário fabricianense. A proposta de compra foi feita durante reunião dos administradores com os funcionários, realizada no dia 15 de abril. O pediatra Ênio José apresentou a intenção de adquirir o estabelecimento para manter o Hospital funcionando e também garantir os empregos de funcionários, médicos e enfermeiros. 

“Fizemos uma proposta financeira detalhada para todos os donos e herdeiros. Eles nos questionaram como faríamos a gestão administrativa e outros detalhes. Em valores, a nossa oferta foi de assumirmos todas as dívidas em troca do patrimônio do Siderúrgica”, explicou Marcos Vinícius.

Ênio José disse que na ocasião houve uma fala quase inacreditável: “Presenciei uma situação de coação aos trabalhadores. Um dos representantes da administração disse que quem tivesse R$ 1 no bolso podia comprar e levar as chaves do Hospital. Disseram que ninguém era obrigado a trabalhar sem receber. Mas, logo em seguida citaram o caso de uma cidade em que a justiça teria obrigado os funcionários a trabalharem”, denunciou.

Funcionários
Atualmente, cerca de 230 funcionários prestam serviços para o Hospital, sendo 80 técnicos de enfermagem e 10 de nível superior. O corpo médico era composto por 70 profissionais de diferentes áreas, registrando uma média mensal de 600 internações. Por mês, o volume de consultas alcançava 6 mil pacientes.  
Passadas quase três semanas desde o encontro, os representantes do Siderúrgica não sinalizaram nem mesmo pela rejeição da oferta, segundo os pretensos compradores. O prazo da proposta feita pelo grupo de médicos terminou na terça-feira (4), à meia-noite. 

“Com o atendimento do Hospital paralisado, ficou impossível a sua compra pelo grupo. Funcionando, o déficit era de R$ 250 mil por mês. Agora, esse valor pode subir para R$ 600 mil. Isso porque as receitas, mesmo que poucas, vão ser suspensas”, explicou um representante do grupo que propôs a compra.

Propostas
Os médicos revelaram que havia três propostas sendo analisadas pela mantenedora do Siderúrgica. Uma feita por eles, outra de demolição feita por uma rede de hipermercados que se interessou pela área. Informações extra-oficiais são de que a oferta deles era de R$ 10 milhões pela área de quase 6 mil metros quadrados. A última, porém não confirmada, seria a aquisição da unidade hospitalar pela Associação São Camilo, mesma mantenedora do Hospital Vital Brazil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário